segunda-feira, agosto 30, 2004

Portugal

ATHENS 2004 Closing Ceremony - August 29: Snapshot of the Closing Ceremony at the Athens Olympic Stadium. Getty Images / Photo by Stuart Hannagan

Sobre a presença portuguesa nos Jogos Olímpicos. A melhor de sempre? Em Los Angeles '84 tivemos uma medalha de ouro e duas de bronze de bronze mas na altura o boicote dos países de Leste (do Pacto de Varsóvia só a Roménia participou) retirou um pouco o valor a estes Jogos Olímpicos. Daí que esta participação pode ser considerada a melhor de sempre, três medalhas num total de dezassete desde o início dos jogos é quase 18%. Agora se compararmos as medalhas com as dimensões e o desenvolvimento do nosso país é muito pouco. Nos 25 da União Europeia ficámos em 18º Lugar, além disso há países à nossa frente como o Zimbabwe, Azerbaijão, Uzebequistão, Cazaquistão, Georgia ou Irão.
No entanto, não concordo com o Dupont quando ele critica os nossos atletas. Se fizessem sondagens para saber quantos portugueses já foram a um meeting de atletismo, a uma prova de natação, a um jogo de polo aquático, a um combate de Taekwondo, a uma regata de vela ou a um Open de Ténis os números seriam residuais. Se ninguém gosta de ver estes desportos durante uma olimpiada (espaço de quatro anos entre dois jogos olímpicos consecutivos) como se pode exigir que os seus atletas conquistem medalhas nos dezassete dias dos Jogos? Aliás, se nas sondagens perguntassem quantos portugueses praticaram algum desses desportos os números ainda seriam mais deprimentes. Temos um povo que só gosta de ver o desporto do sofá e de exigir dos outros aquilo que ele não é capaz de fazer. Como atleta amador não posso deixar de admirar quem participa nos Jogos, seja para ficar em primeiro, seja para apenas terminar as provas. Claro que não estou a falar nos dezoito meninos mimados que foram representar o país no futebol, mas sim numa Ana Dias que fez a maratona em três horas. É muito tempo? Quem me dera conseguir correr 42km em três horas. Há ainda o caso de Fernanda Ribeiro, que desistiu. Admiro-a por ter conquistado uma das três medalhas de ouro do nosso país, mas se foi a Atenas pelo menos devia ter terminado, para honrar a sua carreira e os próprios Jogos. É criticável esta sua postura, mas talvez seja a única pessoa que merece continuar a ter o nosso respeito apesar da atitude.
O problema do desporto português é de todos menos dos atletas e treinadores, é dos seus dirigentes, é dos governos e é sobretudo de uma população que só gosta de futebol, de apitos dourados e de Fernandos Searas, Dias Ferreiras e Guilhermes Aguiares.

4 espinhos:

Blogger GoG disse...

Concordo plenamente... eu gosto de desporto e aprecio o esforço dos atletas portugueses, mesmo que não ganhem medalhas, apesar de achar cada vez mais que a direcção olímpica nacional se rege por princípios um pouco obscuros, que nada tem a haver com o desporto... mas pode ser imaginação minha...

5:33 da tarde  
Blogger anonymous disse...

Pensei que tinha ficado claro: eu não critico os atletas, mas sim o paternalismo caseiro e as vitórias morais. Não houve mdalhas de ouro, logo não há que embadeirar em arco.

2:17 da manhã  
Blogger MT disse...

Suponho que Anonymous seja o Dupont. Eu apenas afirmo que não concordo em parte com o seu post, nomeadamente na crítica a alguns atletas. Quando escrevo sobre os portugueses que não apoiam os desportos fora dos jogos, que não os conhecem e que criticam por criticar não estou a incluí-lo, como é óbvio.

5:12 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Efectivamente, o anonymous sou eu. Miguel, já experimentaste o sistema Haloscan? Olha que para comentários é bem melhor...
Dupont

9:06 da tarde  

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